Diário de grávida: trombofilia e parto prematuro

12/06/2016

clexane

 

Oi meninas. Como avisei aqui no blog e no snapchat, hoje vou começar a – enfim – postar sobre tudo o que aconteceu comigo na gravidez – e depois dela. Dividi meu relato em duas partes: a primeira conta da descoberta da trombofilia e vai até o nascimento de Letícia e a segunda vai do nascimento até a vinda dela para casa, ok? Me sinto muito confortável em partilhar aqui esses momentos tão íntimos da minha vida, pois vocês sempre foram minhas amigas virtuais não é mesmo? Estiveram comigo no meu noivado, casamento e na gravidez. Então, nada mais justo do que contar um pouco do que vivi quando conheci o grande amor da minha vida: Letícia Maria.

 

Tive uma gravidez tranquila desde o começo: demorou apenas 2 meses para que eu engravidasse após deixar de tomar meu anticoncepcional. Não senti muitos enjoos, não senti sono, não fiquei com desejos estranhos nem mal-humorada. Sim, eu tive um pequeno sangramento no comecinho e fiquei de repouso 1 semana, lembram? Mas fora isso eu fui a grávida mais normal possível, feliz e disciplinada: tomei todos os remédios e vitaminas, fui a nutricionista para ter uma alimentação mais saudável para minha bebê, me exercitei (pouco, mas pelo menos tentei), trabalhei. Eu tinha tudo e mais um pouco para ter um parto tranquilo, igual a minha gravidez. Tinha.

No sexto mês de gravidez, na 26 semana, começamos a perceber pelas ultrassons que Letícia não estava crescendo como deveria, e então minhas médicas começaram a avaliar as possibilidades para que aquilo estivesse acontecendo. Uma das possibilidades seria insuficiência placentária (àquela altura, minha placenta estava começando a calcificar e já estava indo para o grau II – ela só chega até o grau III), e foi nessa linha de pensamento que minha ultrassonografista dra. Maria Amélia Rolim Rangel seguiu. Aliás, quero deixar registrado aqui, em público, minha gratidão a esse ANJO que Deus colocou em minha vida. Competente, paciente e amiga, dra. Maria Amélia foi uma pessoa incrível comigo. Não só ela, como minha prima, mastologista Ana Thereza da Cunha Uchôa Camacho, que também foi meu alicerce naquela fase. As duas foram peças fundamentais para que eu mantivesse a calma – ou pelo menos tentasse – e acreditasse num final feliz.

A partir dali me foi sugerido fazer pesquisa sobre trombofilia, e assim eu fiz. E o que é trombofilia?

“Trombofilia é a propensão de desenvolver trombose devido a uma anomalia no sistema de coagulação. As portadoras de trombofilia tem mais chances de desenvolver complicações durante a gravidez, inclusive abortos recorrentes.”

trombofilia

Eu já conhecia a trombofilia pois tenho duas grandes amigas que tem esta propensão, e inclusive uma delas – que já tem 3 filhos – começou o tratamento assim que soube que estava grávida, o que garantiu a ela uma gestação tranquila.

 

Quando fiz o exame, esperei alguns angustiantes dias para que se confirmasse que sim – eu tinha trombofilia. No caso da minha,foi de causa hereditária, pois envolveu mutação em determinados genes, os quais eu herdei de meus pais. O mais comum é a mutação do fator V Leiden, que foi justamente a mutação que tenho. Bom, pelo menos ali estava explicado o motive da insuficiência placentária. Menos mal.

Muitas mulheres abortam continuamente e não sabem a causa, e por isso a pesquisa de trombofilia é importante. E vou dizer uma coisa: depois que a pessoa descobre que é trombofílica, parece que o mundo inteiro vira trombofílico também. Tantaaaa gente que conheço possui trombofilia e eu nem sabia.

Mas e por quê eu não fiz exames para saber se eu tinha a propensão antes? Porque simplesmente eu não me encaixava em NENHUMA situação que requer esta “investigação”. E quais são essas situações? a)História familiar de eventos trombóticos; b) trombose migratória ou difusa ou em local pouco comum, c) episódio trombótico desproporcionalmente grave em relação ao estímulo desencadeante, d)várias complicações obstétricas, como dificuldade para engravidar, gestações complicadas, retardo do crescimento fetal, abortamentos e perdas fetais.

Sendo assim, eu simplesmente não sei de onde surgiu essa trombofilia em mim. Mas enfim, ela aconteceu e eu ainda investigarei com o hematologista sobre ela.

Mas e aí? O que eu deveria fazer depois de saber que era trombofílica? Eu comecei a aplicar as “famosas” injeções de clexane (aliás, eu não. Diego aplicava). Diariamente. 1 por dia. Até ficar roxa mas continuar aplicando.

Aqui abro um parágrafo para expressar minha INDIGNAÇÃO com nosso Governo. O clexane – assim como outros anticoagulantes deve ser distribuído pelo SUS, por ser um medicamento especializado e de alto custo. Acontece que aqui em João Pessoa ele estava em falta – e agora nem sei se já chegou. Graças a Deus eu pude pagar pelas injeções, mas ouvi muitos relatos – num programa de rádio local – de grávidas que não podiam pagar e que estavam entregues à própria sorte. Isso é um ABSURDO tremendo, e eu sinceramente espero que o SUS volte a disponibilizar o remédio, e que as grávidas tenham o DIREITO a tratamento adequado para que seus bebês nasçam bem e saudáveis.

Quando a mulher é trombofílica, ela deve começar a aplicar as injeções assim que descobrir a gravidez, o que não foi meu caso. Por isso, àquela altura, o clexane não conseguiu mais reverter a calcificação na minha placenta, mas apenas conteve um pouco a rapidez com que ela estava acontecendo. Ali comecei a me preparar psicologicamente para um parto prematuro. Suspendi meus planos de chá de bebê, ensaio gestante, decoração de maternidade… enfim, muito do que eu havia sonhado e planejado estava indo embora, porque ali eu só queria uma única coisa: que minha filha nascesse bem e saudável. E todo o resto era supérfluo. Claro que desde que engravidei sempre quis que minha Letícia fosse saudável, mas também qual mãe não sonha com todas essas fofurices? Com fotos lindas para mostrar à criança depois que ela crescesse. Mas, enfim, como já disse nas minhas redes sociais, às vezes os planos de Deus para nós são muito diferentes e maiores do que os nossos.

Poucas pessoas sabiam da aflição que eu passei a partir dali. Fiz uma dieta hipercalórica com dra. Eneide Sette, minha nutricionista, para tentar compensar o pouco fluxo de nutrientes que minha placenta levava até Letícia. Passei a comer MUITO, de 3 em 3horas. Quando eu digo MUITO é MUITO mesmo. Eu só pensava na minha filha e chegava a passar mal de tanto que comia para que ela pudesse ter os nutrientes suficientes.

Não tornei pública a situação, pois preferi resguardar aquele momento, resguardar a minha filha. Mas eu sentia a responsabilidade que tinha em depois ter que compartilhar isso aqui com vocês. Para alertar as futuras mamães e gravidinhas sobre este problema sério e bastante corriqueiro.

Bom, o fato é que mesmo com as injeções de clexane diariamente, injeções de corticoide para amadurecer o pulmão dela , a dieta hipercalórica (que ajudou muito e fez Letícia ganhar um peso legal nas últimas semanas de gravidez) e o repouso – sim, eu fiquei de repouso, não sei se vocês lembram que parei de trabalhar e fiquei só cuidando dos detalhes para a chegada dela – minha placenta continuou a envelhecer e calcificar, e na 32 semana, meu líquido amniótico diminuiu drasticamente. Tinha então chegado a hora da minha filha nascer. 8 semanas antes, ou seja, praticamente 2 meses.

E eu? Senti medo, ansiedade, angústia. Chorei. Por muitas vezes me culpei mesmo sem ter culpa – ninguém escolhe ser trombofílica, a gente apenas o é. E infelizmente eu descobri tarde demais. Me voltei para Deus e Nossa Senhora, e rezei com muita fé para que minha bebê nascesse bem.

Com 32 semanas e 2 dias, lá fomos nós para a maternidade. Segurei meu terço e entrei na sala de cirurgia para um parto cesáreo, com confiança plena na minha querida obstetra, Dra. Karina Azevedo e na querida Neonatologista Dra. Sandra Giovana – outros anjos que entraram na minha vida. Entreguei ali, mais uma vez, minha filha nas mãos de Deus.

(Continua no próximo post)

9 respostas para Diário de grávida: trombofilia e parto prematuro

  1. Gabriela diz:

    Muito impo seu post RÊ, tam tenho trombofilia, descobri apos faz os exames, pois minha ir tambem tem e teve dois abortos ate descobrir a trombofilia, por precauÇão fui fazer os exames e descobri a minha, ja estou preparada para toMar as Injeções quando enGravidar!

  2. Carolina Araújo diz:

    Descobri a trombofilia na minha primeira gestação, mas infelizmente quando o resultado saiu eu já havia perdido a bebê. Muitos médicos que conheço acharam uma besteira minha GO ter solicitado o exame, já que é TÃO comum abortos na primeira gestação. Hoje estou grávida de 13 semanas e desde a descoberta da gravidez minha médica já passou o clexane, porém ele continua em falta na prefeitura de JP desde março desse ano, então estou tendo que me desdobrar para poder comprar essa medicação super cara. Rezo todos os dias para que minha gravidez vá ate o final bem tranquila.

  3. Omayra diz:

    Lindo relato Renata.
    parabéns por tornar público sua história de vitória.

  4. nanda diz:

    olá , estou muito feliz em saber que vc e seu bebê estão bem, estou em tratamento de trombose venosa profunda , e tenho trombofilia , muito importante esse seu post, pois muita gente não entende como funciona essa doença,

  5. Djenifer leidiane feuser diz:

    Muito legal seu relato. Estou aguardando os resultados dos meus exames, meu médico também suspeita que tenho, temos uma mistura de sentimentos quanto a isso, mais vou colocar nas mãos de deus, pq sei que ele fará o melhor, por mim e pelo meu pequeno lucca.

  6. Val diz:

    Oi meninas,
    Eu quero compartilhar tb mimha história c vocês.
    Hoje estou completando 40 dias de um aborto retido de 29 semanas, seria minha primeira filha, a qual estava esperando com muita ansiedade e alegria. Minha gravidez desde o início foi tranqüila, náo tive enjôo, desejos, sangrento, nadae isto me deixava muito feliz por estar tudo bem c minha menina.
    Fiz ultrasom ATÉ o quinto mês e estava tudo bem e por este motivo, meu go disse que náo seria necessário fazer ultrasom no 6 mês, apenas no 7. Este foi o grande erro, pois exatamente neste mês q o problema se manifestou e por náo sentir nada, náo procurei Socorro, apenas no 7 mês fiz a ultrasom conforme a orientação médica. Foi quando a médica me deu a péssima e triste notícia que minha bb já estava morta na minha barriga a mais ou menos 8 dias, meu mundo acabou, sofro, dói muito saber que ela sofreu, passou fome e náo teve Socorro.
    Bom, pedimos a necrópsia e o resultado foi que tive um infarto placentário, procurei outro médico, pq náo queria mais aquele médico que estava me atendendo, pois acredito q ele foi omisso no meu pré natal, na vdd estava pondo culpa no mundo…
    Então, este atual médico me solicitou todos os exames p confirmar a trombofilia e o resultado veio, tenho positivo para mutação heterozigoto, ele me encaminhou p a hematologista, estou em busca de resposta p essa doença nova na minha vida.
    Quero muito ser mãe, meu sonho o qual deixei p realizar antes dos 40 anos e me acontece tudo isso…, Preciso que vocês me ajudem, estou c meu psicológico muito abalado, tenho medo de engravidar e acontecer novamente, mesmo fazendo o tratamento durante a gravidez, tenho medo tb de mesmo náo estando grávida, ter uma trombose.
    Por favor, se alguém teve sucesso na gravidez c as injeções, relatam aqui tb, pq além do medo de perder novamente ainda tem a questão da dificuldade de se conseguir o medicamento.
    To desesperada pq ainda tenho mioma pra completar.
    Fiquem c Deus!

    • Renata Uchôa diz:

      Oi Val querida. Primeiro quero te dizer que tente ter calma e tranquilizar seu coração. Não consigo nem imaginar sua dor, mas espero que Deus te conforte para que você consiga seguir em frente. Eu tenho várias amigas – eu disse VÁRIAS MESMO, que tem trombofilia, e engravidaram e tem seus bebês super saudáveis. Nenhum inclusive nasceu prematuro como minha filha, porque elas descobriram a trombofilia antes e tomara o remédio adequado – no caso as injeções de clexane. Uma das minhas madrinhas de casamento tem 3 filhos lindos e ela tomou as injeções nas 3 gravidezes. Portanto eu lhe asseguro: você será sim mãe. Faça seu tratamento, e seu bebê chegará bem e saudável. Fica com Deus, um bjo enorme

  7. Taís da cruz Pereira sampaio diz:

    Qual medicamento se toma antes de ficar grávida para o tratamento de trombofilia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *